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 O que é o cancro de colo de útero?

O cancro do colo do útero é um tumor maligno localizado no colo do útero. Quase todos os casos de cancro do colo do útero (7 em cada 10 casos) são causados pela infecção dos tipos 16 e 18 do Vírus do Papiloma Humano (HPV).
Cerca de 5 a 10% das mulheres infectadas pelo HPV desenvolvem infecções crónicas. As infecções crónicas com os tipos 16 e 18 do HPV podem resultar em alterações anormais das células que revestem o colo do útero. Estas alterações, conhecidas como lesões ou células pré-cancerígenas, se não desaparecerem por si com o tempo ou se não forem tratadas, podem evoluir para cancro, um processo que geralmente pode demorar entre 15 a 20 anos.
O sintoma inicial do cancro do colo do útero mais comum é a hemorragia vaginal irregular, mas, em muitos casos, os sintomas só se manifestam quando o tumor já está num estádio mais avançado ou em fase de disseminação.
Os principais tratamentos para o cancro do colo do útero incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

 Quão frequente é o cancro de colo de útero?

O cancro do colo do útero é um dos tipos de cancro mais comuns que afecta as mulheres em todo o mundo. Segundo as estatísticas da OMS, as mulheres africanas são desproporcionalmente afectadas, com cinco vezes mais probabilidades de contraírem a doença e sete vezes mais probabilidades de morrerem pela doença em comparação com mulheres de países desenvolvidos.
As estatísticas do Instituto Angolano de Controlo do Cancro (IACC) mostram que o cancro do colo do útero tem ocupado, consequentemente, o primeiro ou segundo lugar entre os tumores malignos diagnosticados nos últimos cinco anos.
Em 2022, foram tratados 285 casos de cancro do colo do útero no IACC, o que corresponde a 17% de todos os cancros tratados, tornando-se o segundo tumor mais frequente. Em 2023, foram diagnosticados 235 casos. No entanto, devido a limitações no diagnóstico e à falta de integração de dados de outras instituições, muitos casos podem não ter sido notificados.

 O que é o Vírus do Papiloma Humano (HPV)?

O Vírus do Papiloma Humano (HPV - Human Papillomavirus, em inglês) é um vírus que infecta a pele e as membranas mucosas, especialmente na área genital e no colo do útero. Existem mais de 200 tipos de HPV, classificados por números (atribuídos pela ordem em que foram descobertos). Dentre eles, 12 tipos de HPV são considerados de alto risco, pois podem causar cancro do colo do útero e outros tipos de cancro

 Quais os tipos de Vírus do Papiloma Humano que são a principal causa de cancro do colo do útero?

Está comprovado cientificamente que os tipos 16 e 18 do HPV são de alto risco e que são responsáveis por mais de 70% dos casos de cancro do colo do útero (7 em cada 10 casos). Os tipos de HPV de baixo risco podem causar verrugas genitais, verrugas comuns e verrugas plantares (na planta do pé).

 Como é transmitido o HPV?

O HPV é transmitido através do contacto directo com a pele, membranas mucosas ou fluidos corporais de uma pessoa infectada. O HPV transmite-se através da actividade sexual, incluindo o contacto íntimo com a área infectada: relações sexuais vaginais, orais ou anais, ou toque genital.
O HPV não é uma infecção hereditária. Não há aumento do risco de infecção em indivíduos com historial familiar de doenças associadas ao HPV.

 Quão comum é a infecção por HPV?

A infecção pelo HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum a nível mundial. Cerca de 8 em cada 10 homens e mulheres são infectados com um ou mais tipos de HPV em algum momento das suas vidas. As mulheres mais jovens, principalmente até aos 25 anos, têm mais probabilidades de contrair a infecção por HPV.
Das mulheres infectadas pelo HPV, cerca de 5 a 10% desenvolvem uma infecção crónica, caso não tenham sido vacinadas.

 A infecção por HPV pode ser evitada?
A vacinação contra o HPV é a forma mais simples e eficaz de prevenir a infecção por HPV e o cancro do colo do útero. Sem vacinação, estima-se que 8 em cada 10 homens e mulheres sejam infectados com os tipos mais comuns de HPV em algum momento das suas vidas.
No entanto, mesmo que se tenha apenas um parceiro sexual, a pessoa pode já estar infectada sem saber, pois o HPV muitas vezes não apresenta sintomas.
A vacinação contra o HPV, administrada antes do início da actividade sexual, reduz significativamente o risco de infecção, pois as vacinas disponíveis protegem contra os tipos de HPV de alto risco. O uso de preservativo e outros métodos contraceptivos de barreira pode reduzir, mas não eliminar completamente, o risco de transmissão sexual do HPV.
 O cancro do colo do útero pode ser prevenido?

A vacinação precoce com vacinas que incluam os tipos 16 e 18 do HPV é a maneira mais eficaz e custo-efectiva de prevenir 70% dos casos de cancro do colo do útero.
O risco de desenvolver cancro do colo do útero pode ser reduzido significativamente através da vacinação precoce contra o HPV e do rastreio regular do cancro do colo do útero.

 O rastreio do cancro do colo do útero é importante?

A vacinação contra o HPV não protege contra todos os tipos de HPV; portanto, o rastreio regular do cancro do colo do útero é fundamental, mesmo para as mulheres vacinadas.
O exame do colo do útero permite detectar lesões pré-cancerígenas e cancro do colo do útero em estágio inicial, aumentando as probabilidades de um tratamento bem-sucedido. Em países com programas organizados de rastreio do cancro do colo do útero, observou-se uma redução significativa na ocorrência de cancro do colo do útero em estado avançado.

Apesar da eficácia dos programas de rastreio do cancro do colo do útero, ainda há um número significativo de mortes por cancro do colo do útero em muitos países. Portanto, é fundamental dar prioridade à vacinação, sendo esta a forma mais eficaz de prevenir o cancro do colo do útero.

 Por que vacinar contra o HPV?

O cancro do colo do útero pode ter um impacto significativo na vida das mulheres e das suas famílias, mesmo quando diagnosticado em estágio inicial.
O cancro do colo do útero é difícil de tratar e pode ser fatal. Cerca de 8 em cada 10 homens e mulheres são infectados pelo HPV em algum momento das suas vidas. A vacinação protege contra os tipos de HPV de alto risco, responsáveis pela maioria dos casos de cancro do colo do útero.

 Quando vacinar contra o HPV?

A vacinação deve ser feita antes de a pessoa se tornar sexualmente activa, pois isso oferece protecção contra a maioria dos tipos de HPV que causam cancro.
Para além de proteger, também protege os parceiros sexuais. No entanto, como a vacinação não previne todos os tipos de cancro do colo do útero, o rastreio regular continua a ser fundamental para as mulheres e raparigas, quer estejam vacinadas ou não.

 Qual a vacina utilizada pelo MINSA na campanha de vacinação contra o cancro do colo do útero?

O MINSA irá utilizar a vacina contra o HPV denominada Cecolin, pré-qualificada pela OMS como altamente eficaz e segura e que protege contra dois tipos de HPV de alto risco, o 16 e o 18. A vacina não contém conservantes nem antibióticos. O fabricante da vacina Cecolin é o laboratório INNOVAX.
Para serem o mais eficazes possível, todas as vacinas contra o HPV também contêm pequenas quantidades de um adjuvante (hidróxido de alumínio).
Esta vacina não é uma vacina de experimentação. Até ao momento, já foram administradas cerca de 50 milhões de doses, com bons resultados.

 Como funciona a vacina contra o HPV?
O corpo reage à vacina produzindo anticorpos que ajudam o sistema imunológico a combater a infecção pelo HPV. As vacinas contra o HPV são 100% eficazes na prevenção de futuras infecções contra os tipos 16 e 18 do HPV.
As vacinas contra o HPV actualmente em uso, incluindo a Cecolin, contêm partículas produzidas a partir da cápsula proteica de cada tipo do HPV na vacina, utilizando tecnologias apropriadas. Estas vacinas não são vírus e não causam infecção pelo HPV ou cancro.
 Quantas pessoas já foram vacinadas contra o HPV?
Desde 2006, quando a primeira vacina contra o HPV foi introduzida, mais de 100 milhões de pessoas foram vacinadas com mais de 270 milhões de doses de vacinas contra o HPV em todo o mundo. Destas doses administradas até ao momento, 50 milhões de doses são da vacina Cecolin.
 Quantos países introduziram a vacina contra o HPV?
A vacinação contra o HPV faz parte do calendário de imunização de rotina para meninas em 135 países a nível mundial. Na região africana, 28 dos 54 países já introduziram a vacina contra o HPV no calendário de vacinação.
 Quem deve tomar a vacina contra o HPV?

O Ministério da Saúde está a comprar vacinas para todas as meninas com idades compreendidas entre os 9 e os 12 anos, para serem vacinadas contra o vírus do papiloma humano, numa campanha nacional abrangente.

A vacina contra o HPV, administrada nesta idade, proporciona uma resposta imunológica mais robusta e duradoura. Não há contraindicações na administração da vacina.

 Após a campanha de vacinação, quem tomará a vacina nos próximos anos?
A partir de 2025, a vacina será incluída no calendário nacional de vacinação de rotina para as novas coortes de raparigas de 9 anos de idade. O objectivo é alcançar gradualmente a imunidade de grupo e reduzir a circulação do HPV.
 Quantas doses da vacina contra o HPV devem tomar as meninas?
A OMS recomenda que a vacina Cecolin contra o HPV seja administrada numa dose única.
 Por que a vacina não é administrada a crianças com menos de nove anos?

A vacina contra o HPV não está licenciada para crianças com menos de nove anos. Ainda não foram realizados estudos para administrar a vacina em crianças com menos de nove anos de idade.

 Como é administrada a vacina contra o HPV?
Como a maior parte das vacinas, a vacina contra o HPV é administrada por injecção no músculo deltoide, na parte superior do braço, numa dose única de 0,5 ml.
 Podem ser administradas outras vacinas, ao mesmo tempo?
Sim, as vacinas contra o HPV podem ser administradas ao mesmo tempo que outras vacinas como, por exemplo, a vacina contra o tétano.
 As vacinas contra o HPV são eficazes?
Sim, porque evitam a infecção pelo HPV de alto risco impedindo o surgimento de células pré-cancerígenas e, consequentemente, o cancro do colo do útero. Uma revisão sistemática da informação científica destaca o impacto substancial da vacinação de rotina tendo reduzido mais de 70% dos casos de cancro do colo do útero em programas de vacinação bem estabelecidos, em países desenvolvidos.
Foram observadas reduções de até 90% nas infecções causadas pelos tipos 16 e 18 do HPV de alto risco entre os grupos etários-alvo dos programas nacionais de imunização.
 Será necessário um reforço da vacina?

Até ao momento, não há evidências que sugiram que a protecção conferida pelas vacinas contra o HPV reduza entre as pessoas vacinadas, desde a introdução da primeira vacina contra o HPV, em 2006.

 As vacinas contra o HPV têm algum efeito adverso?
Tal como outras vacinas e medicamentos, as vacinas contra o HPV podem ter efeitos adversos. Os efeitos mais comuns são leves, incluindo dor, vermelhidão e inchaço no local da injecção. Pode também surgir com menor frequência: dor de cabeça e febre ligeira. Estes efeitos geralmente duram de algumas horas a um dia.
A dor no local da injecção é comum afectando 8 em cada 10 pessoas vacinadas. Cerca de 3 em 10 pessoas podem ter inchaço ou vermelhidão no local da injecção e/ou dor de cabeça após a vacinação contra o HPV. Cerca de 1 em 10 pessoas tem febre ligeira. Em alguns casos pode ocorrer desmaio após a injecção, sendo mais comum em adolescentes vacinados em ambientes de grupo. Mas isso não é uma reacção da vacina em si. Em geral, desmaios após vacinas são eventos relacionados ao medo de injecção, ao estresse ou ansiedade. Este fenómeno pode ocorrer com qualquer vacina, não apenas com a vacina contra HPV.
Reacções alérgicas graves são raras, ocorrendo em cerca de 1 em 1 milhão de pessoas vacinadas (com qualquer tipo de vacina).
Como precaução, recomenda-se que, qualquer pessoa que receba uma vacina (de qualquer tipo), deve permanecer na clínica ou no local de vacinação durante 15 minutos após a toma da vacina. Se sentir tonturas ou dificuldade em respirar, deve informar, imediatamente, o profissional de saúde, que está treinado para lidar com possíveis reacções alérgicas (1 em 1 milhão de doses).
 As vacinas contra o HPV têm efeitos colaterais a longo prazo?

Todas as vacinas contra o HPV são consideradas seguras e bem testadas. Não há evidências confiáveis que indiquem a ocorrência de efeitos colaterais a longo prazo.

 As vacinas contra o HPV são seguras?
Sim, todas as vacinas contra o HPV, incluindo a Cecolin, são consideradas seguras e são testadas e rigorosamente avaliadas, quanto à segurança e eficácia antes de serem licenciadas e disponibilizadas ao público.
A vigilância da segurança das vacinas continua em cada país, após a sua introdução e estudos realizados a nível mundial, não encontraram evidências que questionem a segurança das vacinas contra o HPV.
 As vacinas contra o HPV afectam a fertilidade?
Não. As vacinas contra o HPV e a vacina Cecolin, em particular, não afectam a fertilidade. Estas vacinas ajudam a proteger a saúde e a fertilidade da mulher. Ensaios clínicos e estudos subsequentes à introdução da vacina contra o HPV confirmaram que a vacina não causa problemas reprodutivos nas mulheres.
Na verdade, a vacina contra o HPV ajuda a proteger a saúde reprodutiva da mulher, prevenindo lesões cervicais pré-cancerígenas e o cancro do colo do útero. Não existe contraindicação para engravidar em mulheres que tomaram a vacina contra o HPV.